Transplantamos o primeiro rim a 8 de julho de 1983. Hoje comemoramos o 40º aniversário, num salão nobre literalmente lotado por diversas gerações de profissionais e doentes.
Ouvimos os pioneiros rever uma aventura criada em época de incerteza científica, preconceitos morais, comunicações modestas, imunossupressores parcos, mas que evoluiu para um Programa de Transplantação Renal de excelência, multidisciplinar e interprofissional.
A sessão foi coordenada por Luísa Lobato, diretora do Serviço de Nefrologia, que fez um resumo histórico, e por La Salete Martins, responsável do Programa, com a colaboração de José Davide, diretor do Centro de Transplantação, e Rosário Caetano Pereira, coordenadora de Colheita e Transplantação.
Nos testemunhos destacaram-se os clássicos: Eva Xavier, primeira diretora do Serviço de Nefrologia (1975) e cofundadora da transplantação renal, António Castro Henriques, nefrologista, António Norton de Matos, cirurgião vascular, Arnaldo Lhamas, urologista, Pedro Amorim, anestesiologista, Jorge Daniel Silva, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, Fernando Jorge, transplantado renal e dirigente associativo. Foram evocados pioneiros, com destaque para os falecidos Mário Caetano Pereira, cirurgião vascular, António Morais Sarmento, nefrologista, Mário Lopes, anestesiologista, mas também para os presentes Mergulhão Mendonça e Rui Almeida, cirurgiões vasculares. O papel dos peritos de histocompatibilidade Armando Mendes e Paula Xavier também foi recordado. As equipas do bloco operatório e da logística foram particularmente ovacionadas.
As inovações conceptuais e técnicas, designadamente associadas ao dador vivo, à elevada complexidade, e à transplantação cruzada, nacional e internacional, foram abordados por Leonídio Dias e Manuela Almeida, nefrologistas, Miguel Ramos, urologista, Rui Machado, cirurgião vascular, Manuela Casal, anestesiologista e Rosário Caetano Pereira.
Domingos Machado, nefrologista do Hospital de Santa Cruz, dador de um rim a doente anónimo, falou das motivações e da escolha do nosso hospital para concretizar o seu altruísmo.
Jorge Malheiro, nefrologista, apresentou os resultados de 40 anos de atividade: 3.261 transplantes, incluindo 446 de dador vivo, 265 de rim-pâncreas, 12 de pâncreas após rim e 25 de fígado-rim, correspondendo a um ganho global de 34.320 anos de vida. Na última década, o transplante de dador vivo foi de 29%.
La Salete Martins encerrou a sessão com a sistematização de desafios e perspetivas de desenvolvimento da transplantação renal no Santo António, mantendo elevada qualidade e segurança, com a obrigação de superar a herança das gerações anteriores.
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